CURVA U: MODELO QUE EXPLICA A ADAPTAÇÃO EM UM LUGAR NOVO
A curva U é um modelo psicológico que descreve o processo de adaptação de uma pessoa ao mudar de ambiente cultural ou geográfico, por exemplo, quando alguém se muda de país, cidade ou região diferente. Esse conceito defende a ideia de que a experiência de mudança segue um padrão emocional semelhante ao formato da letra U. No início, ocorre a fase da lua de mel, marcada por entusiasmo e curiosidade. Tudo parece novo e interessante: a pessoa sente-se motivada a explorar o ambiente, experimentar comidas diferentes, aprender a língua local e fazer novos amigos. Porém, essa fase tende a ser …
Controle sua mente!
Seja no trabalho, em casa, sozinho ou acompanhado, a nossa mente está constantemente nos contando histórias. Se pararmos para ouvi-la, é muito provável notarmos que ela está fazendo alguma avaliação, comparação, interpretação, previsão, relembrando algo ou atribuindo significado. Passamos a vida imersos nessas histórias, e, assim como água para os peixes, é fácil esquecermos que elas estão presentes. Isso não é um problema necessariamente; em muitos contextos, podemos tomar ações adequadas quase de maneira automática a partir de pensamentos que estavam presentes mesmo sem ter clareza deles. Por exemplo, para dirigir ou atravessar ruas movimentadas, estar sob o controle de …
Não sofra em dobro!
“Quando o nosso sofrimento não pode ser explicado, sofremos duplamente: pela dor que experimentamos e pela nossa incapacidade de lhe dar sentido.” Essa frase, parafraseando a autora Eva Illouz, socióloga que investiga a forma como cultura, sistema econômico e sentimentos interagem, descreve uma consequência de determinada maneira de se relacionar com pensamentos e emoções. Esse “duplo sofrimento”, na perspectiva da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), costuma ocorrer quando nos relacionamos com nossos pensamentos e sentimentos a partir da ideia de que sua presença indica que há algo de errado conosco, ou quando nos faltam recursos para compreender o sentido …
Como parar com o antidepressivo?
A disseminação do uso de antidepressivos se deve em grande parte ao desenvolvimento dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) no final da década de 80. Essa nova classe medicamentosa, com menos efeitos colaterais e menor risco de toxicidade, permitiu a prescrição mais segura de antidepressivos. A euforia foi tanta que os anos 90 foram batizados por George H. W. Bush como a “década do cérebro”. Desde então, estes novos antidepressivos têm sido umas das principais ferramentas da psiquiatria moderna, ajudando milhões de pessoas com depressão, ansiedade e até mesmo outros transtornos. Porém, esquecemos que não basta saber quando …
“O Erro de Descartes”: Tomada de Decisões
No livro “O Erro de Descartes”, o neurocientista António Damásio propõe uma visão transformadora sobre como o ser humano pensa e toma decisões. Ele questiona o famoso princípio cartesiano “Penso, logo existo”, mostrando que a mente não funciona separada do corpo, nem o raciocínio funciona isolado da emoção. Pelo contrário: para decidir, precisamos sentir. Damásio demonstra, a partir de estudos clínicos com pacientes que sofreram lesões em áreas específicas do cérebro, que emoção e cognição são inseparáveis. Indivíduos com inteligência preservada, memória intacta e linguagem funcional, mas com prejuízos nas regiões responsáveis pelas emoções, eram incapazes de tomar decisões simples …
Disfunção executiva na depressão
A depressão é frequentemente reconhecida por seus sintomas emocionais, como tristeza persistente, perda de interesse, sensação de vazio, mas seus impactos vão muito além do humor. Um dos aspectos menos percebidos, porém extremamente relevantes na prática clínica, é a disfunção executiva, um conjunto de dificuldades cognitivas que afeta a capacidade de organizar, planejar, focar e tomar decisões. Esses sintomas cognitivos podem ser tão incapacitantes quanto os afetivos e influenciam diretamente o funcionamento social, acadêmico e profissional. As funções executivas são processos cognitivos complexos que nos ajudam a: Essas habilidades dependem fortemente do córtex pré-frontal, região que também regula emoções e …
Desenvolvimento socioemocional na primeira infância
A primeira infância, período que vai do nascimento aos seis anos, é uma fase de intensa transformação. O cérebro está em rápido crescimento, absorvendo experiências e construindo as bases para processos cognitivos, afetivos e sociais que acompanharão o indivíduo ao longo de toda a vida.Nesse contexto, o desenvolvimento socioemocional desempenha um papel essencial: é nele que a criança aprende a reconhecer sentimentos, expressá-los, regular emoções, relacionar-se com os outros e construir uma percepção positiva de si mesma. O desenvolvimento socioemocional na primeira infância é um processo complexo, mas profundamente natural quando a criança encontra um ambiente seguro, afetivo e responsivo.Ao …
A VIDA ALINHADA AOS VALORES
Valores, na perspectiva da terapia de aceitação e compromisso (ACT) podem ser compreendidos como qualidades no modo de agir que consideramos significativas, por exemplo agir de maneira gentil, dedicar-se, ou ser autêntico. É o tipo de pessoa que desejamos ser enquanto percorremos o caminho da vida. O que percebemos como significativo — nossos valores — emerge das nossas experiências de vida, da cultura em que estamos inseridos e das relações que construímos ao longo do tempo. Vivências de cuidado, sofrimento, pertencimento, perda e realização vão moldando aquilo que aprendemos a apreciar, proteger e buscar. Ao escolher agir alinhado a eles, …
Quando parar de usar antipsicóticos?
Recentemente, tenho lido muito os trabalhos da Joanna Moncrieff, psiquiatra inglesa que alcançou bastante relevância com suas críticas à psiquiatria – a qual, em sua opinião, é excessivamente focada no uso de remédios. Moncrieff não nega os benefícios possíveis com uso de medicações, porém defende que prescrevemos demais e por mais tempo do que o necessário, subestimando os efeitos adversos associados a estas condutas. Logo, foi grande a minha surpresa ao descobrir que ela conduziu um grande ensaio clínico randomizado, com 253 pacientes, para testar na prática as suas teorias. No estudo RADAR, publicado em 2023, Joanna queria avaliar qual o impacto da redução/interrupção …
Atinja suas Metas
Todos temos objetivos, ainda mais no começo do ano, quando costumamos eleger alguns para nos dedicarmos. É importante que tenhamos objetivos; ainda assim, se pautamos a noção de que o ano foi bom ou de que nosso esforço valeu a pena apenas na concretização deles, é provável que passemos o caminho até nossos objetivos acompanhados da sensação de que algo nos falta. Outro problema em pautar a felicidade no alcance de um objetivo é que não temos garantia de que ele será alcançado. A verdade é que temos pouco controle sobre o mundo ao nosso redor, e muito do que …

