Saia do Piloto Automático
Às vezes, agimos de maneira tão automática em resposta a uma situação que temos a impressão de que o comportamento ocorreu de maneira espontânea, sem que antes tenha passado um pensamento pela nossa mente ou uma sensação pelo nosso corpo. Na perspectiva da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), momentos de impulsividade são algo a que todos estamos sujeitos e nem sempre são, por si só, algo problemático. No entanto, podem se tornar um problema dependendo de suas consequências diretas ou do quanto esse padrão de comportamento pode afastar a pessoa daquilo que é importante e significativo para ela. Na …
O domínio das emoções
A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) é uma abordagem cognitivo-comportamental que tem como objetivo, para além da melhora dos sintomas associados à queixa, o desenvolvimento de Flexibilidade Psicológica. Flexibilidade Psicológica é um modelo de saúde mental que pode ser compreendido como um conjunto de habilidades Mindfulness (ter consciência, abertura e perspectiva das experiências internas, como os pensamentos e sentimentos) e Engajamento (clareza dos próprios valores e a capacidade de escolher agir alinhado a eles). Mesmo quando não estamos sofrendo com algum transtorno, sentimentos, sensações e pensamentos indesejados fazem parte de muitos contextos da vida, e, se temos pouca flexibilidade …
Você corajoso!
Um desafio natural da experiência humana é se deparar com algum tipo de dor psicológica. Sejam pensamentos indesejados ou sentimentos e sensações difíceis, a forma como lidamos com a dor tende a ter um impacto significativo na maneira como vivemos. Chamamos de coping (estratégias de enfrentamento) os esforços cognitivos e comportamentais que empregamos para lidar com situações que percebemos como difíceis ou estressantes, buscando manejar as demandas da situação e seus impactos emocionais. Alguns exemplos são buscar apoio de pessoas próximas, conversar sobre o que estamos sentindo, procurar soluções para os problemas, reorganizar a forma como interpretamos uma situação, estabelecer …
Quebre as Barreiras da Mente… AGORA!
Uma barreira que costumamos enfrentar no caminho para os nossos objetivos são os nossos próprios pensamentos. Geralmente em momentos oportunos para agir em direção a algum objetivo, é comum sermos visitados por pensamentos como: “tudo bem começar amanhã”, “agora não é um bom momento” e “vou fazer errado, melhor nem tentar”. Independentemente de esses pensamentos conterem verdades ou mentiras, a presença deles é esperada, ainda mais se a atividade para alcançar o objetivo for de alguma forma desafiadora. É como se a nossa mente nos contasse essas histórias como uma forma de autocuidado, tentando nos proteger de desconforto e frustrações, …
O custo de controlar as emoções
Emoções difíceis como ansiedade, raiva e tristeza fazem parte da vida. É uma realidade que pode ser frustrante e difícil de lidar. Uma das formas de responder a essas emoções é tentando controlá-las ou preveni-las. É um movimento compreensível, uma vez que são experiências internas desconfortáveis. Contudo, tentar viver controlando as próprias emoções costuma ter um custo alto. Paradoxalmente, quanto mais tentamos reduzi-las ou nos livrar delas, maior o papel que elas recebem em nossas vidas. A abordagem Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) tem uma metáfora que ilustra esse paradoxo: imagine que você é o motorista de um ônibus. …
PARE! Não fuja das Emoções.
Esquiva experiencial é uma maneira de se relacionar com os pensamentos, sentimentos e sensações que se baseia na tomada de ação com o intuito de reduzir, evitar ou controlar essas experiências internas, ou na evitação dos contextos que as evocam. É algo que todos fazemos e é uma maneira válida de lidar com as experiências internas, dependendo da situação. Ações como tomar um medicamento para reduzir a enxaqueca ou sair com amigos no fim de semana como forma de não ficar ressentindo um término de relacionamento são comportamentos que podem envolver esquiva experiencial e ser adaptativos. Contudo, muitas situações na …
Síndrome do Impostor: como lidar?
O termo atualmente conhecido como Síndrome de Impostor foi introduzido na literatura científica em 1978 pelas psicólogas Pauline Rose Clance e Suzanne Imes com o nome de Fenômeno do Impostor. Elas publicaram um artigo intitulado “The Impostor Phenomenon in High Achieving Women”, em que observaram o fenômeno e o descreveram como uma experiência interna de falsidade intelectual associada a contextos profissionais e acadêmicos. É como se o indivíduo não conseguisse se apropriar dos seus méritos. Apesar de não ser considerado um transtorno, é uma experiência subjetiva que pode causar sofrimento significativo. Geralmente esses indivíduos experienciam pensamentos como o de que …
Acolhendo a ansiedade a partir da história de vida
Seja pela sensação de aperto no peito, pelo estado de alerta constante ou pelos pensamentos de antecipação do futuro que a acompanham, a ansiedade é um sentimento comum, reconhecido como desconfortável e presente na vida da maioria das pessoas. No entanto, embora seja universal enquanto fenômeno humano, a ansiedade de cada um tem a sua própria história. Na perspectiva do contextualismo funcional, base filosófica de abordagens como a Terapia de Aceitação e Compromisso, a ansiedade é algo aprendido ao longo da vida pela relação com o ambiente. Ou seja, a ansiedade que sentimos hoje tem origem em nossas experiências passadas: …
Fusão cognitiva
Quase como o fluxo de um rio, nossas mentes estão constantemente produzindo pensamentos, e, na maior parte do tempo, não escolhemos quais surgem. Eles ocorrem em coerência com o contexto, com os estados do corpo e com aquilo que foi aprendido ao longo da nossa história de vida. Por si só, isso não é problemático; contudo, pode se tornar um problema dependendo da maneira como nos relacionamos com esses pensamentos e do impacto que exercem sobre nós. Independentemente da conotação, os pensamentos podem ter uma influência negativa quando estamos fusionados a eles. Estar fusionado a um pensamento significa ser tomado …
PENSAMENTOS NEGATIVOS
Um motivo frequente para as pessoas buscarem terapia, de modo abrangente, é a dificuldade em agir da maneira como gostariam devido a experienciarem pensamentos e sentimentos que as impedem. A verdade é que agir de forma significativa, especialmente em contextos com os quais não estamos habituados, pode evocar aspectos desafiadores da nossa subjetividade. Seja por se tratar de um novo comportamento, distante da zona de conforto, seja por envolver um comportamento antigo cujo contexto — pessoal ou externo — sofreu alterações, a maneira como nos relacionamos com a nossa experiência interna influencia diretamente nossa capacidade de realizar determinada ação e …

