Acolhendo a ansiedade a partir da história de vida
Seja pela sensação de aperto no peito, pelo estado de alerta constante ou pelos pensamentos de antecipação do futuro que a acompanham, a ansiedade é um sentimento comum, reconhecido como desconfortável e presente na vida da maioria das pessoas. No entanto, embora seja universal enquanto fenômeno humano, a ansiedade de cada um tem a sua própria história.
Na perspectiva do contextualismo funcional, base filosófica de abordagens como a Terapia de Aceitação e Compromisso, a ansiedade é algo aprendido ao longo da vida pela relação com o ambiente. Ou seja, a ansiedade que sentimos hoje tem origem em nossas experiências passadas: ela é resultado das situações que vivenciamos, da forma como reagimos a essas situações e das consequências que essas reações produziram.
Ao analisar a ansiedade sob essa ótica, se atentando desde os nossos primeiros anos até o momento atual, podemos ganhar perspectiva sobre como as experiências a influenciaram e o papel que ela teve/ tem nos contextos que vivenciamos.
Por exemplo, para uma criança que cresceu em uma família em que era responsabilizada por cuidar do irmão mais novo, a ansiedade pode ter assumido a função de mantê-la constantemente em estado de vigilância. Ao perceber que precisava estar atenta às necessidades do outro e evitar que algo desse errado, essa criança pode ter aprendido a antecipar problemas e monitorar o ambiente. Na idade adulta, a tendência a estar vigilante e antecipando problemas pode encontrar situações em que ela causa prejuízos, como em situações de lazer. Contudo, se esse padrão se manteve, provavelmente ainda tem um papel em determinados contextos, como no âmbito profissional, favorecendo responsabilidade, atenção a detalhes e prevenção de falhas.
Desenvolver esse conhecimento sobre a própria ansiedade pode ajudar a mudar a maneira como nos relacionamos com ela. Ao reconhecer a função que desempenhou ao longo da nossa história e que ainda pode exercer nos contextos atuais, podemos ampliar nossa compreensão sobre sua presença e reduzir a tendência de interpretá-la apenas como um sinal de fragilidade ou inadequação.

