⚠️ É Pânico ou Coração?
Muitos pacientes chegam ao consultório preocupados após passarem por uma emergência acreditando que estavam sofrendo um infarto quando, na verdade, era uma crise de pânico. A confusão é real e compreensível, pois os sintomas físicos são assustadoramente semelhantes.
Tanto a Crise de Pânico quanto a Síndrome Coronariana Aguda, conhecida popularmente como “infarto”, ativam o sistema de alerta do corpo, mas por caminhos diferentes:
Nas crises de pânico, a instalação da dor pode ser súbita e inclusive pode ocorrer em repouso. Ela atinge um pico dentro de um tempo de 10 minutos e depois diminui. Quando esses sintomas estão presentes, é também comum a sensação de que se está morrendo, que é o que geralmente leva a pessoa ao pronto atendimento.
Já a síndrome coronariana aguda pode contar com uma dor em aperto ou opressão em região torácica, com uma irradiação para o braço, ombro ou mandíbula esquerdos. Ela ocorre em situações de estresse emocional extremo ou esforço físico, não melhora após os primeiros 10 minutos e tende a piorar com o tempo.
No pânico, o cérebro dispara uma descarga maciça de adrenalina e cortisol sem que haja um perigo real. Isso causa taquicardia e hiperventilação. A hiperventilação, por sua vez, altera o pH do sangue, gerando formigamentos e mais dor torácica, criando um ciclo vicioso de medo.
Na síndrome coronariana aguda, o problema é mecânico e vascular: uma obstrução do vaso do coração impede o oxigênio de chegar ao músculo cardíaco, levando à dor.
A regra de ouro é: Na dúvida, não faça autodiagnóstico.
Se você está sentindo uma dor no peito inédita, especialmente se tiver fatores de risco (hipertensão, diabetes, tabagismo ou idade avançada), o pronto-socorro é o destino imediato. Contudo, se tudo estiver bem e for atestado que se trata de uma crise de pânico, é importante procurar um profissional de saúde mental!
Rodrigo Mesquita, membro da equipe médica da Clínica Mancini. CRM-SP 243.537

