PARE! Não fuja das Emoções.
Esquiva experiencial é uma maneira de se relacionar com os pensamentos, sentimentos e sensações que se baseia na tomada de ação com o intuito de reduzir, evitar ou controlar essas experiências internas, ou na evitação dos contextos que as evocam. É algo que todos fazemos e é uma maneira válida de lidar com as experiências internas, dependendo da situação.
Ações como tomar um medicamento para reduzir a enxaqueca ou sair com amigos no fim de semana como forma de não ficar ressentindo um término de relacionamento são comportamentos que podem envolver esquiva experiencial e ser adaptativos.
Contudo, muitas situações na vida podem envolver experiências internas indesejadas e, se a única maneira de lidarmos com elas é por meio da esquiva, nosso repertório comportamental tende a tornar-se cada vez mais restrito. Passamos a organizar nossas escolhas em função daquilo que queremos evitar, e não daquilo que desejamos construir. É como se passássemos a viver a vida orientados por essas experiências internas, em vez de pelo que desejamos fazer ou consideramos significativo.
Por exemplo, uma pessoa pode deixar de aceitar oportunidades profissionais por medo de fracassar, evitar iniciar um relacionamento para não correr o risco de sofrer uma rejeição ou deixar de expressar sua opinião para não sentir ansiedade diante da possibilidade de ser julgada. Em todos esses casos, a decisão deixa de ser guiada pelos próprios objetivos e valores e passa a ser determinada pela tentativa de evitar experiências internas desagradáveis.
Em outras palavras, às vezes tentar evitar pensamentos, sentimentos ou sensações desagradáveis, mesmo que com êxito, pode nos impedir de construir a vida que gostaríamos de construir.
Por isso, as psicoterapias cognitivo-comportamentais costumam ter como um de seus objetivos o desenvolvimento de formas mais flexíveis e adaptativas de lidar com as experiências internas. Em vez de ter como objetivo principal eliminar pensamentos, sentimentos e sensações desagradáveis, o processo terapêutico busca ampliar o repertório comportamental da pessoa para que ela possa responder a essas experiências de maneiras que favoreçam seus objetivos e valores. Assim, o desconforto deixa de ser o principal determinante das escolhas, abrindo espaço para uma vida mais rica, significativa e coerente com aquilo que é importante para cada indivíduo.

