Saia do Piloto Automático
Às vezes, agimos de maneira tão automática em resposta a uma situação que temos a impressão de que o comportamento ocorreu de maneira espontânea, sem que antes tenha passado um pensamento pela nossa mente ou uma sensação pelo nosso corpo. Na perspectiva da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), momentos de impulsividade são algo a que todos estamos sujeitos e nem sempre são, por si só, algo problemático. No entanto, podem se tornar um problema dependendo de suas consequências diretas ou do quanto esse padrão de comportamento pode afastar a pessoa daquilo que é importante e significativo para ela.
Na perspectiva da ACT, a impulsividade pode ser compreendida como uma maneira inflexível de se relacionar com a própria subjetividade, na medida em que a pessoa responde de forma automática a eventos internos ou externos, com pouca consciência do que está acontecendo no momento e pouca possibilidade de escolher deliberadamente como agir em função de seus valores. Assim, o aspecto central não é necessariamente a ausência de um pensamento anterior ao comportamento, mas a pouca flexibilidade para perceber os pensamentos, sentimentos e impulsos presentes e decidir como responder a eles.
Uma maneira de reduzir a impulsividade é por meio do desenvolvimento de habilidades de atenção plena, que permitem ampliar a consciência sobre o momento presente e sobre os eventos internos que acompanham uma situação antes de uma resposta comportamental. Na ACT, essa prática não tem como objetivo fazer com que a pessoa “esvazie a mente” ou deixe de ter emoções ou impulsos, mas possibilitar que ela os observe com maior abertura, sem necessariamente agir de acordo com eles de maneira automática. Ao reconhecer e acolher, por exemplo, o surgimento de uma emoção intensa ou de uma vontade de agir imediatamente, a pessoa pode criar uma distância entre si e a experiência na qual é possível deliberar sobre a forma de agir.
Outro aspecto desse processo é o trabalho voltado ao esclarecimento dos valores pessoais (qualidades que consideramos significativas no nosso modo de agir) e ao reconhecimento de ações orientadas por esses valores. Isso permite que a pessoa tenha uma referência para avaliar suas ações não apenas a partir das consequências imediatas, mas também em relação à vida que deseja construir. Diante de um impulso, portanto, torna-se possível perguntar não somente “o que eu quero fazer agora?”, mas também “como eu quero agir diante disso?” e “essa resposta está de acordo com a pessoa que quero ser?”. A partir desse processo, a ACT busca ampliar a capacidade de realizar ações comprometidas com os próprios valores, mesmo na presença de pensamentos, emoções ou impulsos desagradáveis.

