MINDFULNESS
É provável que você já tenha ouvido falar de Mindfulness ou Atenção Plena, afinal é uma prática que tem se popularizado e está frequentemente na mídia. A palavra “Mindfulness” é derivada do adjetivo da língua inglesa “mindful” que em portugues pode ser traduzida como “consciente”. Ela se refere a um estado de atenção e consciência voltado intencionalmente para a experiência do momento presente, com uma atitude de abertura, curiosidade e não julgamento. Trata-se de perceber pensamentos, emoções, sensações corporais e estímulos do ambiente à medida que surgem, reconhecendo-os tal como são, sem a necessidade imediata de mudá-los ou reagir automaticamente a eles.
Ainda assim, ela é comumente divulgada de maneira que pode passar a impressão de algo que ela não é. Mindfulness não é um sinônimo de meditação, apesar de ser inicialmente inspirado em práticas meditativas do budismo e as habilidades que compõem a Atenção Plena podem ser trabalhadas por meio da meditação. Ela não é necessariamente uma prática religiosa, pois, no contexto clínico, a Mindfulness foi adaptada e aplicada de maneira secular, baseada em evidências científicas e desvinculada de crenças ou doutrinas espirituais. Não se trata de uma atenção perfeita e constante, nem de controlar ou esvaziar a mente ou estar tranquilo o tempo todo. Também não se trata de um exercício de relaxamento.
No contexto da psicoterapia, a prática de Mindfulness tem sido utilizada por abordagens psicoterapêuticas de orientação cognitivo-comportamental, como a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) e a Terapia Comportamental Dialética (DBT). A Atenção Plena é trabalhada por meio de exercícios estruturados que visam ampliar a consciência corporal e cognitiva, e também pela própria relação entre paciente e terapeuta, direcionando a atenção para os eventos internos que podem emergir durante a sessão.
Através do desenvolvimento da habilidade de Mindfulness, torna-se possível reconhecer quando se está operando no “piloto automático” ou reagindo de forma automática às experiências, criando a oportunidade de interromper esse ciclo. Esse processo permite retomar a atenção de maneira flexível ao momento presente, com clareza e consciência, ampliando a possibilidade de escolhas e de respostas menos reativas às situações vivenciadas.

