Afasia de Broca x Afasia de Wernicke
A afasia é um distúrbio adquirido da linguagem decorrente de lesão cerebral, geralmente localizada no hemisfério esquerdo, responsável pelo processamento linguístico na maioria dos indivíduos. Entre os tipos mais estudados e clinicamente relevantes estão a afasia de Broca e a afasia de Wernicke, que diferem quanto às áreas cerebrais acometidas e aos perfis linguísticos apresentados.
A afasia de Broca (afasia não fluente ou motora), refere-se a lesões na região frontal inferior esquerda do cérebro, especificamente na área de Broca. Do ponto de vista neuropsicológico, caracteriza-se por uma produção verbal lenta, esforçada e pouco fluente, com frases curtas e estrutura gramatical simplificada. O discurso apresenta predominância de substantivos e verbos no infinitivo, com omissão de artigos, preposições e flexões verbais, fenômeno conhecido como agramatismo. Apesar das dificuldades expressivas, a compreensão da linguagem costuma estar relativamente preservada, especialmente para comandos simples, o que frequentemente leva o paciente a ter consciência de suas limitações, podendo gerar frustração e sofrimento emocional.
Já a afasia de Wernicke (afasia fluente), decorre de lesões na região temporal superior posterior esquerda, conhecida como área de Wernicke. Nesse caso, o paciente apresenta fala fluente, com ritmo e entonação preservados, porém com conteúdo pouco informativo ou incoerente. São comuns parafasias (trocas de sons ou palavras), neologismos e dificuldades significativas na compreensão da linguagem oral e escrita. Diferentemente da afasia de Broca, o indivíduo com afasia de Wernicke geralmente tem menor consciência de seus déficits, o que pode dificultar o engajamento no processo terapêutico.
Do ponto de vista da avaliação neuropsicológica, a diferenciação entre esses dois tipos de afasia envolve a análise detalhada da produção oral, da compreensão auditiva, da repetição, da nomeação e da leitura e escrita. Essa avaliação é essencial para o diagnóstico diferencial, para o planejamento da intervenção e para o acompanhamento da evolução clínica. Além disso, a análise qualitativa do desempenho linguístico permite compreender como o indivíduo organiza e acessa o sistema linguístico após a lesão cerebral.
A intervenção terapêutica nas afasias de Broca e de Wernicke é interdisciplinar, envolvendo principalmente a atuação do fonoaudiólogo e do neuropsicólogo. O objetivo é favorecer a reorganização funcional do cérebro por meio da neuroplasticidade, estimulando habilidades preservadas e desenvolvendo estratégias alternativas de comunicação. A abordagem também deve considerar os aspectos emocionais e sociais do paciente, uma vez que os prejuízos na linguagem impactam diretamente a autonomia, a identidade e as relações interpessoais.

