Não sofra em dobro!
“Quando o nosso sofrimento não pode ser explicado, sofremos duplamente: pela dor que experimentamos e pela nossa incapacidade de lhe dar sentido.”
Essa frase, parafraseando a autora Eva Illouz, socióloga que investiga a forma como cultura, sistema econômico e sentimentos interagem, descreve uma consequência de determinada maneira de se relacionar com pensamentos e emoções.
Esse “duplo sofrimento”, na perspectiva da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), costuma ocorrer quando nos relacionamos com nossos pensamentos e sentimentos a partir da ideia de que sua presença indica que há algo de errado conosco, ou quando nos faltam recursos para compreender o sentido de sua ocorrência.
É natural que certos contextos evoquem emoções e pensamentos indesejados em nós. Contudo, quando não conseguimos reconhecer a coerência dessas reações, é provável que lidemos com elas como um problema. Essa forma de enxergar a própria dor pode acabar por intensificá-la.
Por exemplo, um adulto que cresceu em um ambiente no qual se queixar era visto como uma falha de caráter, ao atravessar um período de dificuldades financeiras e problemas no relacionamento, pode, além do estresse e da tristeza, sentir-se frustrado consigo mesmo por pensar: “não deveria me sentir assim” ou “há algo errado comigo”.
A verdade é que a forma como cada um pensa e sente não é aleatória. Diante disso, uma maneira de reduzir esse sofrimento adicional é por meio de um trabalho de autoconhecimento, com atenção à forma como nossas vivências influenciam o modo como aprendemos a pensar e sentir. Reconhecer nossas reações internas com clareza e compreender o sentido de sua presença é uma etapa importante para melhorar a relação que estabelecemos com a própria subjetividade.

