O custo de controlar as emoções
Emoções difíceis como ansiedade, raiva e tristeza fazem parte da vida. É uma realidade que pode ser frustrante e difícil de lidar. Uma das formas de responder a essas emoções é tentando controlá-las ou preveni-las. É um movimento compreensível, uma vez que são experiências internas desconfortáveis. Contudo, tentar viver controlando as próprias emoções costuma ter um custo alto. Paradoxalmente, quanto mais tentamos reduzi-las ou nos livrar delas, maior o papel que elas recebem em nossas vidas.
A abordagem Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) tem uma metáfora que ilustra esse paradoxo: imagine que você é o motorista de um ônibus. Esse ônibus representa a sua vida, e você tem a intenção de levá-lo a lugares que considera importantes. Porém, dentro do ônibus há vários passageiros. Alguns são tranquilos, mas outros são barulhentos e desagradáveis. Eles representam emoções difíceis.
Ao longo do trajeto, esses passageiros desagradáveis podem se levantar e ir reclamar com o motorista por não concordarem com o caminho. Eles podem gritar, ameaçar e dizer que algo ruim vai acontecer se você continuar dirigindo naquela direção. Nessa situação, para controlar esses passageiros, é provável que o motorista acate as exigências de mudar o caminho para que eles se acalmem e voltem para as suas cadeiras. Outra opção é parar o ônibus e tentar fazer com que os passageiros desçam. Em ambos os casos, o foco passa a ser controlar ou eliminar os passageiros, em vez de seguir viagem na direção desejada.
Essa tentativa de controlar a própria subjetividade na vida real pode se traduzir, por exemplo, em deixar de ser autêntico por medo de conflito, ter menos profundidade nas relações por envolver sentir-se vulnerável ou ter dificuldade para dizer “não” por envolver o sentimento de culpa. Em um primeiro momento, essas estratégias podem até trazer alívio. No entanto, a longo prazo, elas acabam restringindo a maneira como vivemos.
Mas então a alternativa seria apenas tolerar emoções difíceis? A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) trabalha algo um pouco diferente. Em vez de apenas tolerar as emoções, busca-se desenvolver uma postura de abertura em relação a elas. Isso implica poder dar espaço para essas experiências, reconhecendo sua presença como marcas da nossa própria história de vida, sem se opor a elas ou ser dominado por elas. Não se trata de passar a gostar de se sentir ansioso, triste ou com medo, mas de se permitir sentir essas emoções para poder escolher o caminho da própria vida, em vez de deixar que elas determinem a direção.

