COMO MELHORAR A DISPOSIÇÃO?
Não é raro termos hábitos que gostaríamos de alterar, seja na forma como manejamos o nosso tempo ou como nos relacionamos conosco e com os outros. No entanto, mudanças significativas raramente acontecem apenas pela intenção ou pelo desejo de se sentir melhor. Elas exigem disposição para escolher fazer diferente, mesmo quando surgem desconfortos internos. Na visão da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), a disposição é central para trilhar o caminho da mudança e viver a vida de maneira significativa, uma vez que a presença de sentimentos e pensamentos desafiadores costuma fazer parte da jornada.
A ideia de disposição pode ser comparada ao ato de saltar: no momento em que tiramos os pés do chão, há incerteza e perda de controle, não sendo possível reverter ou interromper o salto. Ainda assim, é possível se preparar de antemão e escolher a distância do salto. Por exemplo, para um pai que considera importante conviver com os filhos, mas percebe que tem evitado proximidade com os filhos mais novos devido à raiva que sente pela bagunça que eles causam, um momento inicial de disposição poderia ser se propor a passar cinco minutos com os filhos, agindo de maneira atenciosa e gentil, mesmo quando a raiva estiver presente.
A disposição pode ser desenvolvida progressivamente, exercitando-a por curtos períodos e se habituando a estar na presença de pensamentos e sentimentos desafiadores que podem emergir nas situações, sem ficarmos emaranhados neles. Outra forma de desenvolver mais disposição é por meio do autoconhecimento sobre os valores pessoais. Reconhecer “em nome de quê?” se escolhe estar em uma situação que pode evocar aspectos dolorosos da subjetividade pode ampliar a disposição para permanecer e agir de forma alinhada aos valores, mesmo diante do desconforto, sustentando movimentos em direção a uma vida mais significativa.

