TOMANDO A DIREÇÃO DA VIDA
É comum passarmos o dia no piloto automático. Conseguir realizar atividades do cotidiano sem antes precisar voltar a atenção à própria subjetividade é algo útil. Esse “piloto automático” também pode ser entendido como uma forma de programação aprendida por cada um ao longo das experiências de vida, que influencia nossos pensamentos, sentimentos e a maneira como costumamos reagir a eles na maioria dos contextos.
Ainda assim, é possível nos encontrarmos em contextos em que a maneira que o nosso piloto automático atua, não nos beneficia, e nos deixarmos levar por ele, pode impedir de agirmos como gostaríamos. Por exemplo, para alguém que aprendeu a partir das experiências a necessidade de antecipar e prevenir problemas, se ela estiver apegada ao próprio piloto, pode ter dificuldade para aproveitar momentos de lazer com pessoas queridas, sendo tomada por pensamentos de que algo temido pode se concretizar e até se sentir culpada por não estar se preparando.
Mas se os nossos pilotos automáticos nos acompanham ao longo da vida e influenciam a maneira que pensamos e sentimos, o que podemos fazer nas situações em que ouvi-los não nos direciona a agir da maneira que gostaríamos? Um primeiro passo pode ser reconhecer o próprio piloto automático. Através da investigação da própria história de vida, buscando compreender a influência das próprias vivências na maneira que a nossa subjetividade foi construída. Isso pode ressignificar a maneira que reagimos a certos contextos, naturalizando a ocorrência dos pensamentos e sentimentos e permitindo elaborarmos formas mais flexíveis de agir na presença delas.

