Desvende sua mente
Cada um de nós, ao longo da vida, desenvolve autoconceitos. Seja através de vivências ou do que escutamos de pessoas próximas, vamos aprendendo formas de pensar sobre a pessoa que somos, nossas aptidões e insuficiências, e se somos suficientes e merecedores de afeto ou não.
Pensamentos sobre nós mesmos geralmente são antigos e resultam da nossa história de vida. Há momentos em que estes autoconceitos podem ser uma grande fonte de sofrimento, seja por estarmos em algum contexto que evoca conceitos muito dolorosos, desejarmos que eles fossem diferentes, tentarmos evitá-los ou por estarmos tão apegados ao que a nossa mente diz sobre nós que isso nos impede de perceber o presente e enxergar o outro.
E o que pode ser feito sobre estes pensamentos? A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) entende que o problema não está na maneira que pensamos sobre nós, mas sim na maneira que nos relacionamos com esses pensamentos, porque, independentemente do autoconceito, até mesmo positivos, eles podem ser fonte de problemas. Por exemplo, alguém que carrega a ideia de que é “alguém genial” e tem uma de suas sugestões rejeitada pelo seu chefe, se há um apego rígido a essa ideia de si, ao invés de se autoavaliar e olhar para os motivos do chefe, pode reagir de modo grosseiro e pensar que os outros são incapazes de compreender a sua genialidade.
A ACT sugere o desenvolvimento da habilidade de observar esses autoconceitos, reconhecendo a sua presença, mas sem se apegar a eles. Uma forma de trabalhar essa habilidade é explorando a influência da própria história de vida sobre esses pensamentos. Olhar para a própria história, identificar os momentos em que a mente aprendeu a pensar sobre si dessa maneira e considerar as situações e as formas como se enxergar assim foram e são úteis pode não só ressignificar a sua presença, mas também diminuir a influência sobre nossas ações, na medida em que conseguimos reconhecê-los como parte da nossa trajetória, mas não como definições fixas e totais de quem somos.
A forma como nos relacionamos com os pensamentos sobre nós pode ter grande influência sobre as nossas escolhas e na forma como agimos. Ao diminuir o apego que temos a eles, abrimos espaço para agir com maior flexibilidade, escolhendo comportamentos que estejam alinhados aos nossos valores e que tornam as nossas vidas mais significativas, ao invés de dedicar tempo e energia tentando alterá-los ou simplesmente vivermos em função de uma ideia rígida de quem somos.

