Supere os Obstáculos
A dificuldade para se dedicar aos objetivos é uma queixa comum na psicoterapia. Para além de limitações materiais, como ter tempo ou condições para se dedicar, muitas vezes os obstáculos encontram-se no campo dos pensamentos. Pensamentos como “não terei sucesso”, “pode ser uma perda de tempo”, “posso começar outro dia” ou até “há coisas mais importantes às quais posso me dedicar” são exemplos de histórias que a nossa mente pode nos contar. Segui-las, mesmo sem nos darmos conta de que estamos fazendo isso, pode nos afastar de agir na direção de nossas metas.
Na perspectiva da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), pensamentos podem funcionar como obstáculos por dois motivos: primeiro, temos menos controle sobre os pensamentos do que gostaríamos; segundo, é fácil sermos influenciados por pensamentos quando não estamos conscientes deles e não conseguimos tomar perspectiva em relação ao que pensamos.
Pensamentos não são produzidos de maneira inteiramente voluntária. Eles emergem a partir da interação entre nossa história de aprendizagem e as circunstâncias presentes. Ao longo da vida, aprendemos relações entre situações, acontecimentos, pessoas, comportamentos e suas consequências, e esses aprendizados passam a influenciar aquilo que a mente produz. Assim, diante de uma tarefa difícil, por exemplo, a mente pode produzir pensamentos como “não vou conseguir” ou “isso não vai dar certo” a partir de experiências anteriores, mesmo quando as circunstâncias atuais são diferentes. Não escolhemos diretamente quais pensamentos irão surgir, assim como não escolhemos deliberadamente muitas das associações que a nossa mente faz.
O segundo aspecto diz respeito à nossa relação com esses pensamentos. Quando não estamos conscientes de que estamos pensando e, principalmente, quando não conseguimos tomar perspectiva em relação ao que pensamos, é fácil que um pensamento passe a funcionar como uma orientação para o comportamento. Em vez de perceber “estou tendo o pensamento de que não vou conseguir”, podemos simplesmente experimentar “eu não vou conseguir” e agir de acordo com essa conclusão.
Um caminho para não depender dos pensamentos quando eles se opõem às nossas metas é a habilidade de se relacionar com eles para além daquilo que eles dizem. Isso envolve reconhecer as tendências da própria mente, compreender como nossas experiências e aprendizados contribuíram para a maneira como pensamos e perceber como esses pensamentos estão influenciando nossas ações. Com esse aumento de clareza e perspectiva, é possível tratar cada pensamento, primeiro, como um evento mental, ao invés de uma descrição da realidade ou uma ordem, e deliberar sobre a utilidade dele em determinada situação. Podemos, então, avaliar se seguir aquele pensamento nos ajuda ou nos afasta daquilo que é importante para nós, criando espaço para escolher como agir mesmo quando a mente aponta em outra direção.

