Quando a nossa mente nos distancia do que é o importante.
Assim como a água para um peixe no mar, passamos as nossas vidas imersos em pensamentos, e nossas mentes se mantêm ativas ao longo dos dias, produzindo e nos apresentando pensamentos constantemente. É normal, muitas vezes, agirmos de determinada maneira sem sequer perceber que estamos reagindo a eles.
Isso nem sempre é um problema; o contexto importa. Muitas vezes, o nosso “piloto automático” nos ajuda a lidar com situações de forma adequada. Ainda assim, pode acontecer de termos áreas de nossas vidas em que esse automatismo, sem percebermos, nos leva na direção oposta àquela que realmente gostaríamos de seguir.
Por exemplo, para um indivíduo cuja mente aprendeu ao longo da vida a considerar e antecipar problemas, e que ocupa o cargo de gerente em uma empresa, estar sob controle desses pensamentos pode ser benéfico para sua performance, na medida em que essa tendência o ajuda a prever riscos, planejar estratégias e tomar decisões mais cautelosas. Contudo, essa mesma forma de pensar, em um contexto de lazer, pode se tornar um obstáculo à descontração e ao aproveitamento do momento, fazendo com que a pessoa esteja constantemente preocupada ou analisando riscos desnecessários, em vez de relaxar e desfrutar das experiências de forma espontânea.
E de que forma podemos lidar com esses pensamentos? Para a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), o problema não está em ter certos tipos de pensamento, mas na forma como nos relacionamos com eles. A ACT propõe uma maneira flexível de lidar com os pensamentos, pautada pela funcionalidade deles no contexto e a serviço de vivenciar uma vida alinhada aos valores pessoais.
Essa habilidade é chamada de Desfusão Cognitiva. Trata-se de notar com clareza os pensamentos, permitir que eles estejam presentes sem obedecê-los automaticamente e, ao mesmo tempo, deliberar se agir de acordo com eles agrega valor ao contexto ou resulta no distanciamento de experiências significativas.
A prática da desfusão cognitiva pode ser promovida de várias maneiras: por meio de exercícios experienciais, como meditações voltadas para observar o fluxo dos pensamentos; metáforas que ilustram de forma figurativa o comportamento da mente e como podemos lidar com ele; e também pelo autoconhecimento, compreendendo como nossas vivências influenciaram a forma como a mente aprendeu a reagir em determinadas situações.
Dessa forma, podemos agir de maneira mais consciente, aproximando-nos do que realmente importa em nossas vidas, em vez de sermos guiados automaticamente pelos pensamentos que surgem em nossas mentes.

