Por que o autista com nível 1 de suporte é mais difícil de diagnosticar?
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição caracterizada por desafios na comunicação social e pela presença de comportamentos e interesses restritos e repetitivos. No entanto, o espectro é bastante amplo, e os níveis de suporte, que vão do 1 ao 3, indicam o grau de auxílio que a pessoa necessita para lidar com as demandas do dia a dia. Entre esses níveis, o nível 1 de suporte, frequentemente chamado de “autismo leve”, é o mais difícil de ser identificado e diagnosticado.
Uma das principais razões para essa dificuldade está no fato de que pessoas com autismo nível 1 geralmente possuem linguagem e QI preservados. Ou seja, elas conseguem se expressar verbalmente com clareza, compreender instruções e apresentar desempenho escolar e profissional dentro do esperado, o que faz com que suas dificuldades sociais e sensoriais passem despercebidas, especialmente por quem não tem conhecimento sobre o espectro.
Como essas pessoas conseguem “camuflar” comportamentos autísticos, seja por aprendizado social, observação ou esforço consciente, muitas vezes aparentam estar bem adaptadas. Essa camuflagem, entretanto, exige grande esforço mental e emocional, podendo gerar cansaço, ansiedade, depressão e crises após situações sociais. O diagnóstico, então, costuma acontecer tardiamente, muitas vezes apenas na vida adulta, quando o indivíduo começa a compreender que suas dificuldades de interação, rigidez de rotina ou hipersensibilidades não são comuns a todos.
Ademais, profissionais de saúde e educação ainda podem se basear em estereótipos ultrapassados do autismo, esperando sinais mais evidentes, como ausência de fala ou comportamentos repetitivos muito marcados. Isso leva à subidentificação de pessoas que, apesar de apresentarem sofrimento significativo e necessidade de suporte, não se encaixam nesse perfil mais clássico.
Portanto, o diagnóstico de autistas com nível 1 de suporte exige avaliação cuidadosa e sensibilidade clínica, considerando aspectos sutis da comunicação social, padrões de interesse e funcionamento emocional. Reconhecer que o autismo pode se manifestar de formas diversas é essencial para que essas pessoas recebam o acolhimento e o suporte adequados, evitando anos de frustração e incompreensão.

