PENSAMENTOS INTRUSIVOS
Ao longo do dia, a nossa mente está sempre sendo visitada por pensamentos. Alguns agradáveis, alguns neutros e outros mais desconfortáveis, o fluxo de pensamentos é algo constante e a variação de conotação é esperada. Ainda assim, durante esse fluxo natural, é possível nos depararmos presos em pensamentos ou memórias recorrentes e perturbadoras que podem capturar nossa atenção e gerar sofrimento significativo.
Na perspectiva da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), pensamentos com esse tipo de conteúdo, frequentemente reconhecidos como pensamentos intrusivos, não são compreendidos como um problema em si. Não se trata de afirmar que o conteúdo não possa ser aversivo ou gerar desconforto, muitas vezes ele é. Contudo, mais do que a presença do pensamento indesejado, é a maneira como nos relacionamos com ele que determina o impacto que terá sobre nós.
Há duas formas principais de reação que podem amplificar significativamente esse impacto. A primeira é a fusão cognitiva. Nesse estado, ficamos tão emaranhados ao conteúdo do pensamento que passamos a enxergar a realidade através dele, perdendo a perspectiva de que se trata apenas de um evento mental. O pensamento deixa de ser algo que temos e passa a ser um indicativo de que há algo de errado conosco ou que dita nossas ações.
A segunda forma é a esquiva experiencial. Trata-se da tentativa constante de lutar contra, suprimir ou controlar esses pensamentos e as emoções associadas a eles. Paradoxalmente, quanto mais nos esforçamos para afastá-los, mais centrais eles se tornam na nossa experiência. O sofrimento, nesses casos, não decorre apenas do conteúdo do pensamento, mas do ciclo de luta que se estabelece, restringindo nossa liberdade de agir apenas para não entrar em contato com o pensamento.
Por isso, mais que a redução da frequência em que o pensamento indesejado ocorre, o tratamento psicoterápico pela abordagem ACT foca no desenvolvimento de desfusão cognitiva, uma habilidade que possibilita responder a essas experiências internas de outra maneira. Trata-se do desenvolvimento de perspectiva sobre as próprias cognições, possibilitando um distanciamento consciente do seu conteúdo literal. Assim, silenciar a mente deixa de ser o objetivo, dando lugar à construção de uma relação mais flexível com os pensamentos, na qual eles podem estar presentes sem que precisem determinar nossas escolhas ou limitar nossa vida.

