Paul Bloom: Empatia Cognitiva x Empatia Emocional
Quando falamos de empatia, geralmente pensamos naquela capacidade de “sentir o que o outro sente”. Essa definição, embora popular, não é a única e nem sempre a mais útil. No livro Contra a Empatia, o psicólogo Paul Bloom propõe uma distinção fundamental entre dois tipos de empatia: a emocional e a cognitiva. Entender essa diferença é essencial para repensarmos como nos relacionamos com os outros e tomamos decisões morais.
A empatia emocional é o que a maioria das pessoas associa ao termo: é sentir junto, experimentar a dor, a alegria ou o medo do outro como se fosse seu. Por exemplo, ao ver alguém sofrer, você sente angústia quase como se fosse sua própria. Essa forma de empatia é intensa, imediata e, segundo Bloom, também é parcial, seletiva e suscetível a manipulação. Ela tende a focar em indivíduos específicos, histórias tocantes e situações próximas, muitas vezes nos levando a decisões injustas ou impulsivas.
Já a empatia cognitiva é a capacidade de compreender o que o outro sente, sem necessariamente sentir junto. É a habilidade de reconhecer a perspectiva do outro, entender suas emoções e motivações de forma racional. Essa forma de empatia permite agir com compaixão sem ser dominado emocionalmente, o que, para Bloom, é mais eficaz em decisões morais e sociais.
Por exemplo: um médico que sente empatia emocional excessiva pode ficar paralisado diante do sofrimento de um paciente. Já aquele que exerce empatia cognitiva consegue entender a dor do outro, acolher e agir com clareza e responsabilidade, sem perder o equilíbrio emocional.
A crítica de Paul Bloom não é contra a compaixão ou o altruísmo, mas contra a ideia de que sentir o que o outro sente é sempre o melhor guia moral. Para ele, a empatia emocional pode nos tornar parciais, favorecer quem está mais perto ou quem nos comove mais, enquanto ignoramos sofrimentos maiores e mais distantes. A empatia cognitiva, por sua vez, nos convida a agir com justiça e consciência, mesmo diante de emoções difíceis.

