Pare de Procrastinar
A procrastinação pode ser definida como o ato de atrasar ou adiar a realização de uma tarefa, mesmo que resulte em consequências negativas e em aumento de estresse. É um comportamento bastante comum, a ponto de achar improvável que exista alguém que não procrastine. Ainda assim, mesmo se tratando de algo comum, a procrastinação é uma queixa frequente trazida para a psicoterapia.
A psicoterapia tem algumas maneiras de intervir nesse comportamento, trabalhando a organização pessoal e o gerenciamento do tempo, por meio do estabelecimento de metas específicas, observáveis e alcançáveis, pela divisão de tarefas em etapas menores, e pelo desenvolvimento de rotinas que favoreçam a constância e o comprometimento com os objetivos propostos.
Para além da otimização no modo de realizar as tarefas e organização do tempo, muitas vezes o ato de procrastinar está sob a influência de pensamentos e sentimentos e a relação que temos com eles. A psicoterapia considera o contexto específico em que a procrastinação ocorre, explorando os pensamentos e sentimentos que o paciente experimenta, as suas origens e como a maneira o paciente se relaciona com eles favorece o adiamento da tarefa.
Por exemplo, duas pessoas podem procrastinar a mesma tarefa, como entrar em contato com um amigo para fazer o convite para um evento, mas a causa pode ser completamente diferente. Imagine que uma dessas pessoas adie o contato por sentir-se culpada por não ter falado com o amigo há muito tempo, enquanto a outra o faça por ter a crença de que deve ser alguém focado e trabalhador, e a ideia sair com o amigo gera pensamentos dolorosos sobre ser alguém preguiçoso e que não aproveita o seu tempo de forma adequada.
A psicoterapia busca promover o reconhecimento dos pensamentos e sentimentos associados ao contexto da procrastinação e, junto, é trabalhada uma relação mais flexível com eles. Através de técnicas de regulação emocional, consciência e análise dos pensamentos, ressignificação, é possível acolher os aspectos da própria subjetividade e engajar-se na tarefa, visando a realização deliberada da tarefa de modo alinhado ao que é significativo para o paciente.

