PARE DE FUGIR!
O termo Esquiva Experiencial se refere às tentativas de evitar ou controlar experiências internas, como pensamentos, sentimentos, sensações e lembranças. Não é algo raro, seja intencionalmente ou de forma inconsciente, todos já realizamos algum movimento buscando nos afastar de um desconforto associado a nossa subjetividade.
Comportamentos como assistir um filme para se distrair quando está entediado, tomar uma xícara de café para diminuir o sono, ou até tomar uma aspirina para reduzir a dor de cabeça são exemplos de esquiva experiencial em contextos que são saudáveis.
Ainda assim, a Esquiva Experiencial é um repertório que quando empregado de maneira inflexível pode trazer grandes consequências para a nossa vida e causar sofrimento. Ela está presente em vários transtornos, como no Transtorno de Pânico, em que na tentativa de evitar a possibilidade de se sentir ansioso e ter uma crise, a pessoa pode restringir a sua vida, evitando situações como ir ao trabalho, fazer atividade física e até sair de casa.
E mesmo para além dos que possuem um diagnóstico, a tendência de evitar estados emocionais e cognitivos negativos pode trazer prejuízos significativos. Isso acontece porque quase tudo que é importante para nós também envolve algum nível de desconforto.
Imagine, por exemplo, alguém que valoriza muito construir relacionamentos significativos, mas que sente medo intenso de rejeição. Para evitar essa sensação desagradável, essa pessoa pode deixar de iniciar conversas, recusar convites ou evitar situações sociais por completo. A esquiva experiencial passa a ser um problema não quando estamos apenas evitando os sentimentos difíceis, mas sim quando estamos evitando uma vida significativa que envolve esses sentimentos.
Ainda assim, mesmo nos contextos em que tentar se afastar da própria subjetividade tem um custo alto, é compreensível que isso aconteça. Estar na presença de sentimentos indesejados pode ser profundamente desafiador. As abordagens Cognitivas-Comportamentais, como a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), podem ser de grande ajuda ao ressignificar a relação com esses estados internos. Em vez de buscar eliminá-los, a ACT promove abertura e acolhimento das emoções, reduzindo a necessidade de evitar experiências internas, favorecendo que a pessoa avance em direção a uma vida mais significativa.

