Não desista!
Geralmente, os momentos em que nossa mente favorece a realização de mudanças significativas também são aqueles em que estamos experienciando um estado emocional favorável a isso. Isso pode ocorrer, por exemplo, por meio da empolgação de se engajar em algo novo e interessante ou de um senso de determinação que pode se manifestar a partir do fim de uma fase da vida, como o término de um relacionamento ou de um ciclo na carreira.
Esse é um estado subjetivo desejável diante do desafio de redirecionar a vida ou introduzir hábitos que consideramos valorosos para nós. Contudo, depender da presença desses sentimentos e pensamentos motivadores tende a não ser suficiente para realizar e sustentar as mudanças desejadas.
A verdade é que, além de os pensamentos e sentimentos não serem estáticos, temos pouco controle sobre eles. Fatores como aprendizados prévios, condições de saúde e o contexto em que vivemos têm grande influência sobre a subjetividade e podem afetar nossa motivação ou fazer com que ela se modifique. Por exemplo, alguém que ingressa em um curso novo pode se sentir empolgado e enérgico com o aprendizado no início. Eventualmente, porém, a experiência deixa de ser uma novidade, o conteúdo pode se tornar mais denso ou até mesmo a intensidade da rotina pode repercutir sobre o grau de disposição da pessoa. Se a maneira como o indivíduo age e se engaja naquilo que considera importante depende de uma motivação cognitiva e emocional, é provável que, quando essa motivação varia, o movimento de mudança seja prejudicado.
Por isso, para além de um estado emocional e mental, é importante que a mudança esteja ancorada na clareza dos valores que orientam nossas escolhas, isto é, nas qualidades que nossas ações expressam e que consideramos significativas para nós. Quando compreendemos essas qualidades e as reconhecemos na maneira como agimos, construímos uma fonte de motivação que não depende exclusivamente de como nos sentimos em um dado momento.
Por exemplo, uma pessoa que deseja cuidar melhor da própria saúde pode iniciar uma rotina de exercícios motivada pela empolgação de estabelecer uma nova meta ou pela vontade de mudar sua aparência. Contudo, com o passar do tempo, essa empolgação pode diminuir, especialmente diante do cansaço, das dificuldades da rotina ou da ausência de resultados imediatos. Nesse momento, reconhecer os valores que sustentam essa escolha, como o cuidado consigo, a saúde e o compromisso com o próprio bem-estar, pode ajudá-la a continuar se exercitando, mesmo sem a mesma disposição inicial. O exercício deixa de ser apenas uma atividade que ela realiza quando está motivada e passa a ser também uma maneira de expressar, por meio de suas ações, aquilo que considera importante para a vida que deseja construir.
A clareza dos valores não elimina o desconforto, o desânimo ou as dúvidas que podem surgir ao longo do caminho, mas nos ajuda a reconhecer o sentido de nossas ações mesmo quando a disposição para realizá-las diminui.

