Lidando com escolhas difíceis
A frase “Cada escolha, uma renúncia” é uma máxima. É geralmente o que faz com que escolhas importantes possam ser tão difíceis de realizar. Seja o curso de faculdade, mudança de emprego, casar-se e muitas outras, são escolhas que costumam afetar a nossa vida de forma duradoura e que, independentemente da opção escolhida, abrir mão de algo para realizá-la é parte da experiência.
Nesses momentos, se pararmos para escutar o que a mente tem a dizer, provavelmente notaremos ela tentando analisar as possibilidades, antecipar consequências e encontrar razões que nos ajudem a escolher. Esse processo pode ser útil até certo ponto, pois nos permite refletir sobre o que é importante para nós e considerar os possíveis desdobramentos de cada caminho.
No entanto, essa análise pode se tornar um problema quando deixa de ser uma forma de orientar nossas escolhas e passa a funcionar como uma tentativa de eliminar os sentimentos de incerteza, medo e insegurança que acompanham esse processo. Afinal, por mais que pensemos sobre as alternativas, embora isso possa gerar alívio no curto prazo por estarmos nos “preparando” para a escolha, não é possível garantir que as coisas vão ocorrer como previsto e que não haverá arrependimentos. Assim, na tentativa de alcançar uma segurança que talvez não seja possível obter, podemos prolongar o sofrimento e ficar presos em um debate interno que, em vez de nos ajudar a decidir, acaba nos paralisando diante da escolha.
Na perspectiva da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), a terapia pode auxiliar a partir do desenvolvimento de uma perspectiva sobre esse processo cognitivo, diferenciando quando a mente está sendo útil para o momento da escolha e quando ela está apenas tentando “resolver” sentimentos que fazem parte da experiência de renunciar a algo importante. Esse reconhecimento facilita a identificação dos momentos em que vale a pena acompanhar os pensamentos sobre a escolha e daqueles em que é mais útil se desemaranhar deles.
Além disso, a terapia ACT busca desenvolver a disposição para entrar em contato com os sentimentos de incerteza, medo e insegurança, aprendendo a acolhê-los sem precisar eliminá-los ou esperar que desapareçam para seguir em frente. Esse processo costuma ser trabalhado por meio de práticas de mindfulness, metáforas e exercícios experienciais que auxiliem o paciente a entrar em contato com essas experiências de maneira gradual e consciente, desenvolvendo a capacidade de reconhecê-las e permitir sua presença sem ser dominado por elas. De certa forma, trata-se de aprender a dar espaço à renúncia para tornar possível a escolha.

