Impondo limites
Assertividade é uma habilidade social que envolve a capacidade de expressar pensamentos, sentimentos, necessidades e opiniões de forma clara, direta e respeitosa. É uma forma de comunicação útil e necessária em diversos contextos da vida, mas pode ser desafiadora para pessoas que ainda não a têm bem desenvolvida ou que apresentam dificuldades para lidar com as emoções e os pensamentos que podem surgir ao agir de maneira assertiva. Contudo, assim como outras habilidades, a boa notícia é que a assertividade pode ser desenvolvida e aprimorada por meio de orientação e prática.
Um primeiro passo para desenvolver a assertividade é conseguir reconhecer os comportamentos que não são assertivos e que podem acabar sendo pouco úteis em determinadas situações. Isso envolve perceber quando costumamos agir de maneira passiva, deixando de expressar aquilo que pensamos, sentimos ou precisamos, ou de maneira agressiva, quando expressamos nossas necessidades sem considerar os limites e sentimentos do outro. A partir disso, podemos começar a identificar formas mais assertivas de agir nessas situações, buscando uma maneira de se posicionar que seja clara e respeitosa.
No entanto, saber qual seria a melhor forma de agir nem sempre é a parte mais difícil. Muitas vezes, o maior desafio está em conseguir agir de maneira assertiva enquanto lidamos com os sentimentos e pensamentos que podem surgir nesse momento. Ao dizer não, estabelecer um limite, expressar uma necessidade ou discordar de alguém, por exemplo, podemos sentir ansiedade, medo, culpa, vergonha, insegurança, desconforto ou receio de desagradar, ser rejeitado ou gerar um conflito. Também podem surgir pensamentos como “a pessoa vai ficar chateada comigo”, “estou sendo egoísta” ou “é melhor não falar nada”. Por isso, desenvolver a assertividade não envolve apenas aprender como agir nessas situações, mas também aprender a lidar com aquilo que sentimos e pensamos quando escolhemos agir de uma maneira diferente.
É nesse sentido que a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) pode ajudar. A ACT busca desenvolver uma forma mais flexível de se relacionar com os pensamentos e sentimentos, entendendo que não precisamos deixar de sentir medo, ansiedade ou culpa para conseguir agir de maneira assertiva. Em vez de tentar controlar ou eliminar essas experiências antes de tomar uma atitude, podemos aprender a reconhecê-las e lidar com elas sem que necessariamente determinem a maneira como vamos agir.
Além disso, a ACT também trabalha com a identificação e a conexão com os valores (qualidades que o indivíduo considera significativas e que podem ser vividas através das ações). Ter essa clareza ajuda a desenvolver e sustentar a prática de comportamentos assertivos, uma vez que as ações passam a ser orientadas não apenas pelos sentimentos e pensamentos desconfortáveis que podem surgir, mas também pela pessoa que ela deseja ser e pela forma como deseja se relacionar com os outros. Dessa maneira, mesmo diante de emoções como medo, culpa ou insegurança, torna-se possível escolher respostas mais assertivas e coerentes com aquilo que é importante para ela.

