FLEXIBILIDADE
Todos nós carregamos conceitos sobre a pessoa que somos. Tanto os positivos, como aptidões, interesses e virtudes, quanto os mais difíceis de carregar, como as nossas insuficiências, defeitos e medos, nos proporcionam um senso de estabilidade e sentido por “sabermos quem somos” mesmo em contextos novos, além de nos possibilitar autorreflexão.
Ainda assim, esses conceitos sobre nós costumam estar associados a grande parte do nosso sofrimento, seja por eles apontarem para algo indesejado e estar em sua presença nos causa emoções difíceis ou por termos um apego tão grande a esses conceitos, que ficamos inflexíveis e passamos a enxergar a vida através deles. A abordagem da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) defende que o problema não está no autoconceito em si, mas sim na forma como nos relacionamos com eles.
Por exemplo, alguém que carrega o autoconceito “não sou muito inteligente”, após ser promovida no trabalho para um cargo de maior responsabilidade, é provável que ela sinta alguma insegurança e se questione se realmente merece a promoção, mas isso não necessariamente é um problema. Com flexibilidade e acolhimento em relação aos autoconceitos, é possível se dispor a vivenciar experiências internas desconfortáveis, sem intensificá-las, a serviço de ter experiências significativas.
Por outro lado, quando há baixa clareza sobre os autoconceitos e como eles nos afetam, ou quando nos identificamos rigidamente com eles, podemos começar a nos frustrar com os pensamentos e sentimentos que decorrem deles, passando a brigar com a própria subjetividade ou até desistir de contextos valorosos para se distanciar das sensações e pensamentos indesejados.
Uma maneira de desenvolver mais flexibilidade em relação ao que pensamos sobre nós mesmos é por meio do autoconhecimento. Ao explorar a origem desses autoconceitos, se atentado para como os eventos em nossas vidas contribuíram para o seu desenvolvimento, e a forma que eles influenciaram em contextos específicos, tanto de forma positiva quanto negativa, ganhamos mais consciência sobre eles, recontextualizando a presença deles, não como algo pré definido ou indicativo de um problema em nós, mas como algo decorrente dos aprendizados que tivemos na nossa própria história.

