EM BUSCA DA FELICIDADE
O sentimento de felicidade pode ser descrito como um estado emocional positivo, associado à sensação de bem-estar e prazer. Assim como a ansiedade, a tristeza e a raiva, é mais um sentimento natural que podemos experienciar dependendo de onde estamos, do que estamos fazendo e do que está acontecendo.
Ainda assim, parece que o que é propagado na cultura ocidental é que a felicidade deveria ser uma constante e que, se não estamos tendo pensamentos e sentimentos positivos, isso é um sinal de que há algo de errado conosco. Não há problema algum em desejar se sentir melhor; contudo, se partirmos da perspectiva de que não se sentir feliz é um sinal de anormalidade, é provável que entremos em luta com a nossa subjetividade.
Essa luta costuma ter altos custos. Um deles é que, quando tentamos controlar estados emocionais e pensamentos negativos, podemos até ter algum sucesso a curto prazo, mas, no longo prazo, eles retornam, geralmente com maior intensidade. Outro custo é que podemos restringir a nossa vida na tentativa de apenas nos sentirmos bem, uma vez que há vários contextos significativos, como relacionamentos afetivos, parentalidade e projetos pessoais, que podem envolver sentimentos e pensamentos desconfortáveis além da felicidade.
Como muitos contextos em nossa vida envolvem uma pluralidade de sentimentos, na perspectiva da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), escolher viver apenas em função de se sentir bem nem sempre leva a viver a vida da maneira que consideramos mais significativa. Pelo contrário, uma vida completa e valorosa costuma envolver a presença de sentimentos e pensamentos desconfortáveis.
Por isso, parte do trabalho terapêutico na ACT envolve o desenvolvimento da habilidade de acolher sentimentos e pensamentos difíceis quando eles se fazem presentes, diminuindo a luta contra a própria subjetividade e abrindo espaço para escolher agir em função de viver uma vida mais significativa, mesmo quando ela envolve mais do que apenas se sentir feliz.

