Conserte sua mente!
A mente humana é uma ferramenta incrível. Ela pode analisar situações, extrapolar consequências, pensar em formas de resolver problemas e avaliar se eles foram solucionados. A habilidade de focar em um problema e direcionar nossa atenção para encontrar uma solução é uma das características que nos permite lidar com as dificuldades da vida. Contudo, essa habilidade também pode promover sofrimento quando se volta para tentar solucionar algo desconfortável em nossa própria subjetividade que não está sob nosso controle.
Pensamentos, emoções, memórias e sensações corporais surgem como respostas a diferentes contextos e, muitas vezes, não escolhemos quando ou como eles irão aparecer. Quando esse foco resolutivo é direcionado para uma experiência interna, de forma paradoxal, ele pode intensificá-la.
Por exemplo, para alguém que está se sentindo ansioso ao receber a notícia de que terá de realizar uma apresentação em público, é possível que a mente comece imediatamente a buscar formas de eliminar essa ansiedade. A pessoa pode passar a questionar por que está se sentindo daquela maneira, imaginar o que poderá acontecer caso fique nervosa, tentar prever cada possível situação constrangedora e monitorar constantemente suas próprias sensações para verificar se a ansiedade está aumentando ou diminuindo.
Embora essas estratégias possam parecer uma tentativa natural de resolver o problema, elas podem acabar direcionando ainda mais atenção para a própria ansiedade, fazendo com que uma experiência que poderia simplesmente surgir, ser sentida ou notada e então seguir seu curso pelo fluxo dos pensamentos e sentimentos passe a ser sustentada e ampliada por esse foco.
A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) propõe uma alternativa para os momentos em que nossa mente nos emaranha em tentativas de solucionar nossa própria subjetividade. Em vez de tomar cada pensamento, emoção ou sensação como um problema que precisa ser eliminado, é trabalhado a habilidade de reconhecer o funcionamento da própria mente e nos notarmos quando presos a esse esforço de controle.
A partir desse reconhecimento, torna-se possível retornar ao momento presente e desenvolver uma postura de abertura e perspectiva diante dos sentimentos, pensamentos e sensações, na qual eles ainda podem ser desconfortáveis, mas permanecem livres para surgir, ser sentidos e seguir seu próprio fluxo, sem que a necessidade de controlá-los os mantenha presentes.

