A luta dos sentimentos
Sentimentos como tristeza, ansiedade e medo fazem parte da experiência humana. Ainda assim, tendem a ser desconfortáveis, e é comum nos encontrarmos investidos em tentativas de resolvê-los ou controlá-los. Apesar de a busca por “solucionar” esses sentimentos ser lógica e razoável, paradoxalmente, ela tende a nos causar mais sofrimento.
Uma das consequências mais danosas de lutar com os próprios sentimentos é abrir mão de viver de uma maneira que consideramos, de fato, valorosa. Quando caminhamos na direção do que consideramos importante, é provável que o desconforto faça parte desse caminho, e muitas vezes evitar o desconforto envolve parar a caminhada.
Por exemplo, para um jovem que valoriza o convívio social, a anfitrialidade e a atenciosidade, e que vai mudar de cidade, ao cogitar fazer um evento de despedida, pode surgir a dor diante da ideia de que não será possível dar a devida atenção a todos os convidados no dia. Se o foco estiver em não sentir essa dor, provavelmente ele abdicará de fazer o evento e de agir de acordo com as qualidades que considera significativas.
Quando abrimos mão do que valorizamos, pode até ser que isso gere um alívio ou sentimentos positivos no curto prazo. Ao mesmo tempo, a vida tende a se tornar mais restrita, distante de significado e propósito. Pode ser que realmente haja êxito em controlar as emoções difíceis, mas ao custo de se orientar na vida não pelo que desejamos viver, mas por aquilo que não estamos dispostos a sentir.
O movimento de abandonar a luta contra os sentimentos, a serviço de viver uma vida que consideramos que vale a pena ser vivida, é algo desafiador. Um primeiro passo que pode ajudar a parar de lutar e acolher esses sentimentos é desenvolver a habilidade de enxergar significado na presença do sentimento difícil.
Para isso, podemos nos perguntar: “O que esse sentimento revela sobre aquilo que é importante para mim?”. A tristeza pode apontar para algo ou alguém que valorizamos, a ansiedade pode aparecer diante de uma situação que consideramos significativa e o medo pode indicar que estamos nos colocando diante de algo que importa. Aprender a escutar essas experiências, em vez de imediatamente tentar eliminá-las, pode nos ajudar a recontextualizá-las, possibilitando direcionar o foco e a energia, que antes eram dedicados a lutar com elas, para construir uma vida que consideramos significativa.

