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CASAMENTO: APEGO INSEGURO X APEGO EVITATIVO

3 de abril de 2026
Por: Doutora Cristiane Beckert
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CASAMENTO: APEGO INSEGURO X APEGO EVITATIVO

Por Dra Cristiane Beckert

A dinâmica conjugal estabelecida entre indivíduos com estilos de apego ansioso e evitativo constitui uma das configurações mais complexas e recorrentes na psicoterapia de casal, frequentemente denominada como a “armadilha ansioso-evitativa”. Sob a ótica da Teoria do Apego e os desdobramentos da neurociência afetiva, esses estilos representam estratégias adaptativas de regulação emocional forjadas a partir dos Modelos Operantes Internos desenvolvidos na ontogênese. No casamento, essa interação manifesta-se através de uma circularidade disfuncional onde os sistemas de apego de ambos são cronicamente ativados, mas de maneiras diametralmente opostas, o que impede a co-regulação necessária para a manutenção da homeostase vincular.

O parceiro com estilo de apego ansioso apresenta uma hiperativação do sistema de busca de proximidade, caracterizada por uma hipervigilância a sinais sutis de rejeição ou abandono. Do ponto de vista neurobiológico, observa-se uma reatividade aumentada da amígdala e uma dificuldade em recrutar mecanismos de controle pré-frontal para mitigar o sofrimento emocional sem a validação externa. Em contrapartida, o indivíduo com apego evitativo utiliza estratégias de desativação, nas quais a vulnerabilidade emocional é suprimida e a autossuficiência é hipervalorizada como um mecanismo de defesa contra a invasividade percebida. Para este último, a intimidade profunda é frequentemente codificada pelo sistema límbico como uma ameaça à integridade do self, disparando comportamentos de distanciamento cognitivo e afetivo que visam restaurar uma segurança defensiva através do isolamento.

No cotidiano do matrimônio, essa assimetria de necessidades de proximidade cria o ciclo patológico do “perseguidor-distanciador”. Quanto mais o parceiro ansioso percebe o distanciamento e intensifica as tentativas de conexão e reasseguramento — muitas vezes através de protestos emocionais ou críticas —, mais o parceiro evitativo sente-se invadido e retira-se para o seu “refúgio” psicológico. Este movimento de retirada atua como um gatilho traumático para o parceiro ansioso, cujos esquemas de abandono são confirmados pela indisponibilidade do outro, gerando um incremento na angústia e na reatividade. Essa escalada mútua não apenas erode a satisfação conjugal, mas compromete a função do relacionamento como uma base segura, transformando o vínculo em uma fonte de estresse crônico em vez de um recurso de regulação.

O impacto prolongado dessa dinâmica no casamento pode levar a um estado de desvitalização afetiva, onde a comunicação torna-se puramente instrumental ou saturada de projeções defensivas. A ausência de sintonização impede a resolução de conflitos de forma colaborativa, uma vez que o indivíduo evitativo tende a minimizar ou evitar o confronto para preservar sua regulação interna, enquanto o ansioso tende a catastrofizar a situação na tentativa de evocar uma resposta emocional do cônjuge. A intervenção clínica, portanto, foca na transição para um apego seguro adquirido, processo que exige a flexibilização das defesas e a construção de uma metacomunicação sobre as necessidades de segurança de cada parte, permitindo que a vulnerabilidade seja expressa e acolhida sem disparar os mecanismos de defesa arcaicos de ambos.

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CRISTIANE BECKERT
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Doutora Cristiane Beckert

A psicologia sempre significou um campo de interesse para mim.

Desde muito cedo me intrigava sobre “Como nos tornamos nós mesmos?”.

Por isso resolvi me tornar psicóloga, para conseguir compreender o ser humano de modo amplo e científico, como indivíduo e dentro das esferas familiares e sociais.

Durante a faculdade pude conhecer inúmeras abordagens, dentre as quais me identifiquei com a Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) e com a Neuropsicologia.

A TCC permite que investiguemos com o paciente seus padrões de pensamento e crenças que podem estar influenciando negativamente sua saúde mental, propondo um modelo organizado de atendimento e traçando objetivos a serem almejados.

Já a Neuropsicologia é um campo de estudo que permite que possamos avaliar o funcionamento do cérebro por meio de testes, atividades e do uso de escalas ecológicas que avaliam o grau de aparecimento de sintomas de uma determinada doença ou transtorno. O relatório da avaliação neuropsicológica permite que sejam traçadas as melhores formas de intervir com o paciente de acordo com seu perfil cognitivo, realizando encaminhamentos e dando suporte às suas dificuldades.

Realizei especialização em Avaliação Neuropsicológica Infantil pela UNIFESP e Avaliação Neuropsicológica pela USP, além cursos de formação em Terapia Cognitivo Comportamental, Reabilitação Cognitiva e Psicologia Jurídica. Sou parte da equipe Mancini Psiquiatria e também atuo como pesquisadora no Núcleo de Avaliação Neuropsicológica Infantil (NANI) da UNIFESP.

Nos meus atendimentos sempre prezo pela ética, olhando o paciente de modo humano, buscando compreender suas dificuldades e potencialidades, proporcionando um ambiente de acolhimento e segurança.

cristiane@mancinipsiquiatria.com.br
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Doutora Cristiane Beckert
A psicologia sempre significou um campo de interesse para mim. Desde muito cedo me intrigava sobre “Como nos tornamos nós mesmos?”. Por isso resolvi me tornar psicóloga, para conseguir compreender o ser humano de modo amplo e científico, como indivíduo e dentro das esferas familiares e sociais. Durante a faculdade pude conhecer inúmeras abordagens, dentre as quais me identifiquei com a Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) e com a Neuropsicologia. A TCC permite que investiguemos com o paciente seus padrões de pensamento e crenças que podem estar influenciando negativamente sua saúde mental, propondo um modelo organizado de atendimento e traçando objetivos a serem almejados. Já a Neuropsicologia é um campo de estudo que permite que possamos avaliar o funcionamento do cérebro por meio de testes, atividades e do uso de escalas ecológicas que avaliam o grau de aparecimento de sintomas de uma determinada doença ou transtorno. O relatório da avaliação neuropsicológica permite que sejam traçadas as melhores formas de intervir com o paciente de acordo com seu perfil cognitivo, realizando encaminhamentos e dando suporte às suas dificuldades. Realizei especialização em Avaliação Neuropsicológica Infantil pela UNIFESP e Avaliação Neuropsicológica pela USP, além cursos de formação em Terapia Cognitivo Comportamental, Reabilitação Cognitiva e Psicologia Jurídica. Sou parte da equipe Mancini Psiquiatria e também atuo como pesquisadora no Núcleo de Avaliação Neuropsicológica Infantil (NANI) da UNIFESP. Nos meus atendimentos sempre prezo pela ética, olhando o paciente de modo humano, buscando compreender suas dificuldades e potencialidades, proporcionando um ambiente de acolhimento e segurança.

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