Aceitação
A palavra “aceitação” carrega diversos significados. Um dos usos mais comuns é o de sinônimo de resignação, contentar-se ou submeter-se à vontade de outros ou do destino. Contudo, quando usada no contexto da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), o seu significado está distante do de desistir de mudar a vida e aprender a nos contentar com ela como está.
A “aceitação” trabalhada nessa abordagem é a habilidade de acolher a própria subjetividade (pensamentos, sentimentos e memórias), mesmo quando ela é desconfortável e desafiadora, para poder agir de forma alinhada aos próprios valores e ideais.
A verdade é que o caminho para construir e viver uma vida mais valorosa envolve estarmos em situações fora da nossa zona de conforto. Seja em uma conversa difícil, ao aprender algo novo, ao nos expormos a novos contextos ou ao exercermos mais autocompaixão, esses são exemplos de situações que podem evocar aspectos indesejados da nossa subjetividade. Sem a habilidade de acolher esses aspectos, é provável que entremos em sofrimento por lutarmos com os próprios pensamentos e sentimentos, frustrando-nos com a sua presença, ou, então, que abramos mão de viver de forma significativa na tentativa de evitar esses sentimentos que fazem parte de caminhar em uma direção valorosa, fora do que estamos acostumados.
Uma das maneiras que a habilidade de aceitação da própria subjetividade pode ser desenvolvida é através do autoconhecimento da história de vida pessoal de cada um. Ao contar a própria história, e notar como as experiências e relacionamentos influenciam na maneira que aprendermos a pensar, sentir e agir pode ressignificar a presença de aspectos emocionais e cognições desafiadoras, diminuindo a luta com elas, e ganhando mais espaço para construir uma vida mais significativa, mesmo na presença delas.

